A sala de espera

sala de espera

A sala de espera de um hospital, três pessoas que ali se encontram por acaso, em meio a seus dramas pessoais, e o personagem mais onipresente e onipotente de todos: o Tempo. Marcel, Mimi e Diva, personagens de uma fictícia Emit, uma cidade banhada a sol, que no momento de introspecção e recolhimento que a todos é imputado − mais cedo ou mais −, em que se é obrigado a enfrentar seus próprios fantasmas, têm revelações fantásticas, tendo como facilitadora a sala de espera. Mais do que um mero local para se realizar visitas a pacientes, a sala de espera do hospital de Emit tem uma função catártica na vida de cada um deles. Todos têm, afinal, contas a ajustar com o Tempo: − Marcel, por sua busca da sensação de plenitude – a quem os ponteiros sistematicamente parados dos relógios anestesiaram o sentido da vida −; e que, em busca dessa sensação, toma atitudes insanas, inimagináveis para um contador metódico, que até um determinado momento de sua vida nada ou ninguém o perturbava e tampouco entendia o porquê do descontrole de seus amigos por emoções passionais. Até que… − Mimi, por querer que o Tempo amenize sentimentos, dores e sensações que faz questão de enterrar sobre o pó do passado; e que, em busca de alívio à sua consciência, chega a assumir até outra identidade. É tão pesada a sua carga de culpa, que a insanidade pode ser, por vezes, a melhor saída. Até que… − Diva, que se enfurece com a passagem do Tempo, por não aceitar a condição humana de que tudo se transforma e não há juventude eterna, mesmo que imortalizada em obras de arte ou na tela de cinema. A onipotência e a o poder que a beleza confere, descobre, então, quando chega mais próxima à meia-idade, são passageiras. E é através da convivência curta, mas intensa com um jovem e feio roteirista de cinema que irá encontrar uma nova válvula de escape às suas frustrações. Até que… Acompanhar as dores e motivações de cada um deles nos faz refletir como a mente humana é sensível e sujeita a intrincados jogos, como peça de um quebra-cabeça cujo funcionamento decorre de impulsos abstratos e, na maioria das vezes, misteriosos e sem lógica. E o Tempo pode ser um grande aliado, ao jogar luz em confusas percepções que toldam a mente de Marcel, Mimi e Diva; mesmo que, pacientemente − como uma grande ampulheta manipulada pelo Destino − não se apresse em nada. Tudo a seu Tempo!

Taty Ades

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